Uma semana sem o Flamengo é muita crueldade. Entretanto, vale como um período tolerável para o indulto pós-decepção. E sou eu quem mais pena, pois sou um torcedor fanático e verdadeiro apaixonado por este clube. Minha relação com o time é passional, como se fosse uma vida a dois. Sofro com a ausência, mesmo sabendo que os dias afastados do Mais Querido serão compensados com momentos de intensidade quando o reencontro e fico junto a ele. Maldita abstinência! E, apesar da insatisfação com os deslizes, eu sempre lhe concedo uma segunda chance. Porque esta paixão arde, num estilo muito parecido com um rolo extraconjugal. Só que nunca há o abandono ou a sobrecarga de frivolidades de uma rotina.

Se o Mengaço vacila, eu começo a fazer uma discussão de relação, bato boca e logo vou tomar uma ducha - e algumas cervejas - para esfriar a cabeça. Às vezes até o coloco para dormir no sofá, mas jamais o estapeio porta a fora. Porque ele já está do lado de dentro, batendo no peito, no compasso do meu coração. Fez besteira? Encosto na parede, cobro mais respeito e o ameaço com algum tipo de castigo banal. Mas daí o tempo passa, eu o perdôo esempre me esqueço da racionalidade para viver novas emoções ao seu lado. Ah... Só mesmo o Flamengo pra me fazer começar tudo do zero, com a esperança de dias melhores.

Este sentimento pelo Fla me ensinou a contemporizar. Justifico minhas covardias e medos para renovar meu amor por esse clube. Danem-se seus vacilos ou traição. Fico com a dor do corno, pois é menos vexatória que um abandono cruel. Sem ele não dá, pago a penitência. Não importa como começou, mas sim a forma como termina. E essa paixão pelo Mengaço parece não ter fim. Perdôo tudo, me transformo em vítima e me faço de capacho. Porque é o Mengo quem consegue me extasiar, quem me completa e me faz sentir diversas sensações em um espaço de tempo tão curto. Faz eu me sentir vivo. E vou da raiva à alegria em questão de segundos! Pois muitas vezes o estômago é obrigado a cumprir o papel do coração. Então, Deixa Arder.